PROVA UNIFICADA DE LATIM: EIS A QUESTÃO
Assim que a gente entra na faculdade, recebe o cronograma com as todas as matérias que obrigatoriamente teremos que cursar para recebermos uma formação ou só um diploma, dependendo do objetivo de cada um, em bacharel em letras. Dentre essas matérias temos o nosso glorioso e amado latim genérico. Mas não é um só, são quatro! períodos. Oh meu deus! e agora? Então a gente começa a se perguntar: Pra que? Pra que, meu deus? Pra que que eu preciso estudar latim? Ainda mais tanto latim... Não tô a fim de sair latindo por aí não... (tá, essa piada foi ridícula, eu sei...)
Então chega o primeiro dia de aula e a gente entende o porquê da necessidade de estudo de latim: o português veio do latim, né? Várias palavras têm origem no latim. Tipo, vida vem de uita, vinho vem de uinum, Charitas, lá de Niterói, significa caridade. Ihh maneiro! A gente fica se sentindo super chique, culta, sabida, A! rainha das etimologias.
Mas a empolgação não dura muito porque conforme as aulas vão rolando, a gente percebe que elas consistem em fazer tradução de frases logo após a deliciosa análise sintática das palavras, coisa que ninguém agüenta mais depois de ter ficado, da sexta à oitava série, fazendo classificação de oração subordinada.
Aí o tempo passa e a gente vai levando... decora um nominativo aqui, dá uma coladinha ali... repete um período, abandona outro, ganha uns zeros a mais no boletim e vai empurrando com a barriga o delicioso latim.
Mas então, eis que quando chegamos no latim IV nos deparamos com outra questão intrínseca a nossa natureza humana: PROVA UNIFICADA. Por quê? Pra que? Como assim, cara?
“Então quer dizer que além de já ter me esquecido de tudo que eu estudei nos outros períodos, vou ter que fazer uma prova que praticamente cai toda a matéria do Latim Genérico mil vezes mais difícil que a normal e ainda por cima ser fiscalizada durante a prova como se tivesse fazendo um concurso público?” “ÉÉÉÉÉ!!!”
É mané, o bagulho é sinistro e a gente precisa se formar. Então tá né, fazer o que? Lá vamos nós pras nossas aulas preparatórias de concurso de latim genérico IV, tentando aprender, e quando não entra, decorar mesmo a matéria pra se livrar logo de latim.
E quando chega o dia da prova, lá vamos nós, nervosíssimos fazer a prova, quase tendo um branco, esquecendo tudo que a gente passou a madrugada decorando, quase confundindo todas as declinações que atordoam o nosso ser.
Então, faz-se a prova, recebe-se o resultado: “caraca, tirei 5, foi na raspa. Mas o que será que eu errei, meu deus? Estudei tanto pra esse raio dessa prova? “ A gente não sabe o que errou, onde errou e, mesmo querendo, nem vai poder saber, o departamento não libera as provas pra levar pra casa. É estilo concurso público, lembra? Termina-se o latim genérico e no final das contas a gente vê que aprendeu muuuuitoooo!!!!
por Carol Felizola - cfn@oi.com.br
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